22 de outubro de 2008

A perna comprida da verdade


Eu semprei achei difícil contar uma mentira. Mais difícil ainda, manter uma. Sendo ela boa ou ruim, é difícil esconder de todo mundo uma verdade que anda com você, que está dentro de você. Porque é incrível o poder que a verdade escondida sob uma mentira tem de se infiltrar na sua cabeça e não sair de lá... e ficar martelando, martelando... “conte a verdade, conte pra todo mundo”.

Não é a mentira que tem perna curta, mas a verdade é que tem perna comprida. A mentira, se pudesse, se manteria para sempre. Mas a verdade... ela fica te cutucando, tentanto te convencer a botá-la pra fora.

Esses dias tenho escondido algo de quase todo mundo. Não chega a ser uma mentira, é mais uma omissão. Não pode ser uma mentira, porque não chegou aos ouvidos de ninguém. Não chega a ser uma mentira, porque nunca foi contada. É algo que simplesmente não contei para quase ninguém e que, portanto, não existe. E nem afeta a vida das outras pessoas.

E até por isso que não contei pra ninguém. Ninguém tem nada a ver com isso. Não quero que saibam. Mas, mesmo assim, essa não-mentira, essa coisa não contada, fica me martelando. Já me peguei várias vezes, quase contando, quase abrindo minha boca no meio de muita gente. Parece que essa coisa não contada quer sair e criar vida, mesmo que seja pra ser mentira.

Deve ser muito difícil contar uma mentira que precisa mesmo ser mantida. Para sempre. Penso nos criminosos inocentados. Isso não é um presente, mas uma tortura eterna. Eles precisam passar o resto da vida mantendo uma mentira, uma mentira que carrega o fardo da sua liberdade. Não há castigo pior que ter a verdade martelando na sua cabeça para o resto da vida.

5 de outubro de 2008

Uma caixa de ócio, por favor!

Eu sinto uma pena em deixar o blog assim, meio abandonado, quase sem atualizações. Porque eu gosto muito de escrever, muito mesmo. Se pudesse, escreveria aqui todos os dias, sempre tenho mil idéias na cabeça, muitas coisas pra contar. Mas estou sentido na pele as conseqüências da falta de tempo ocioso.

Durante as aulas de literatura da faculdade ouvi muitas (muitas!) vezes que o ócio é essencial na vida de um grande artista. Não que eu me considere uma artista, muito menos uma grande artista. Mas é impossível escrever sem ter tempo ocioso.

A grande maioria dos textos que aqui escrevi não saíram da minha cabeça em 5 minutos, assim, do nada. Para escrever muitos deles, passei dias pensando no assunto, escrevi, reescrevi, acrescentei uma parte, mudei o final.

É impossível fazer tudo isso quando você tem que trabalhar, estudar, fazer um trabalho de estatística, estudar francês, sair com as amigas, passar um tempo com família, ir no aniversário do fulano, visitar o sicrano. Quando vejo, já é domingo, 23h, estou morta de sono e sem um pingo de vontade de escrever. Sem sequer uma idéia na cabeça. Nem uma linha. Nem a letra inicial do próximo post.

É o tal ócio produtivo. É como se a sua criatividade aumentasse na mesma proporção que aumenta seu tempo ocioso. É por isso que grande artistas, sejam eles escritores, músicos, pintores, dançarinos; não podem trabalhar como a maioria de nós. O tempo ocioso é essencial para sua criatividade, seu talento, sua arte. Sem ócio, não há artistas.

Talvez, seja por isso que o Brasil é tão pobre de artistas de verdade. Num país como o nosso, no qual os jovens precisam trabalhar cada vez mais cedo para ajudar no sustento da família, onde praticamente não há incentivos para a cultura e patrocínio parece lenda, é muito difícil dedicar-se a arte. Pois arte exige dedicação.

Eu que não sou artista. Eu que não tenho tempo ocioso. Para escrever por aqui, precisei escolher entre escrever ou fazer o trabalho de estatística. Ainda bem que eu odeio estatística.

25 de setembro de 2008

50 letras valem mais que mil palavras



Retirado do livro "Dois Palitos", de Samir Mesquita.

São 50 microcontos, com até 50 letras, num livreto que vem dentro de uma caixinha de fósforos.

Veja mais micro-contos no site do autor http://www.samirmesquita.com.br/

10 de setembro de 2008

Clickarvore



http://www.clickarvore.com.br

Eu fiquei sabendo da existência desse site pela minha gerente.

A ideía é ótima para quem quer contribuir para a preservação do meio ambiente, mas não tem mais espaço para plantar árvore em casa ou mora em apartamento.

É bem simples. Você entra no site e se cadastra. Depois, é só clicar em PLANTAR e pronto, os patrocinadores do site e da campanha vão plantar uma árvore por você, em alguma reserva florestal do país.

Você pode plantar uma árvore por dia e também pode comprar mudas e plantar váaaarias de uma vez só.

Você ainda pode ver onde suas mudas foram plantadas no link "Veja para onde foram suas mudas". O site também informa qual foi o patrocinador que pagou sua muda.

Eu entro no site todo dia e planto minha muda.
Até agora, já foram plantadas mais de 16.260.000 árvores.

O meio-ambiente agradece!


2 de setembro de 2008

Porque tuda muda

Resolvi mudar o layout do site. Aquele rosa não dava mais, nem eu aguentava ler o meu próprio blog.

Sonhei com um blog vermelho, preto e branco e achei que tinha ficado bonito.

Sempre quis colocar uma imagem na barra do título, mas não sabia como fazer isso. Ontem, enquanto trocava o layout, vi que tinha uma ferramenta para "inserir foto na barra do título". Simples assim.

Eu adoro tulipas. São lindas, cativantes. E simples. Meu maior sonho de criança não é casar, mas quando isso acontecer, se isso acontecer, quero uma igreja repleta de tulipas. Também achei que as tulipas combinavam com o layout preto e vermelho e com valsa de Amélie Poulain.

Quando penso em mudança, me lembro do dia da minha formatura. Eu fui mestre de cerimônias (achamos que seria melhor - e mais barato - ter duas pessoas da turma fazendo esse papel) e, quem me conhece, sabe que isso seria algo impensável alguns anos antes. Eu era meio bicho do mato. Se alguém me perguntasse qual a maior mudança que aconteceu na minha vida depois (e por causa) da faculdade, eu, com certeza, diria que foi minha socialização.

Percebi esse mudança quando participei de uma viagem com o pessoal de empresas juniores da Unicamp. Íamos para um encontro nacional no Rio de Janeiro. Eu sempre quis ir para o Rio e cheguei a conclusão que não poderia perder essa oportunidade, principalmente porque a viagem seria muito barata e cheia de festas (claro!)

Fui!

Mesmo conhecendo apenas uma das mais das 50 pessoas que iriam, não éramos amigos na época e ainda ficamos em hotéis separados. Dividi quarto com pessoas que nunca tinha visto em toda a minha vida. Os quatros dias que passei lá estão na lista dos dias mais divertidos e felizes da minha vida. Foram o ínicio de uma mudança.

Depois da colação, minha tia veio falar comigo e me disse: "Não acreditei quando vi você em cima do palco. Pensei, aquela não é a Aline que eu conheço. Você realmente mudou muito, e pra melhor. A faculdade fez muito bem pra você".

Eu concordo.

27 de agosto de 2008

...


Como de costume, acordei as 6h30 e corri para fazer tudo que sempre faço de manhã. Peguei a roupa que já havia separado no dia anterior, tomei banho, me troquei e levei a bolsa e os sapatos para a sala. Comi um pão com queijo e tomei um copo bem grande de vitamina que minha mãe tinha acabado de fazer. Fui para o banheiro e arrumei o cabelo, escovei os dentes e coloquei os sapatos. 30 minutos depois, estava pronta, roupa trocada, café tomado, cabelo penteado.

Andei até o ponto de ônibus duas ruas abaixo da minha casa. Como sempre, passou um ônibus às 7H05, lotado, e eu esperei o próximo, que viria 2 minutos depois com metade dos bancos vazios.
Nesse horário era de costume pegar um pequeno engafarramento a caminho do centro, era por isso que comecei a acordar às 6H30, e não às 6h40 como fazia antes.

Como sempre, cheguei no trabalho 10 minutos antes das 8h e deu tempo de tomar um café e acordar de vez. Eu precisava adiantar algumas coisas, pois às 9h teria uma reunião.

Na hora do almoço, fomos à um restaurante que fica perto. Era sexta-feira, por isso tinha feijoada. Os outros voltaram ao trabalho logo depois de comerem.

Eu, como sempre, passei meus últimos 15 minutos de almoço caminhando pela rua arborizada do quarteirão debaixo. Era bom para espairecer e também me ajudaria a queimar um poucos das milhares de calorias que eu havia acabado de comer. Quando voltei para o trabalho, resolvi subir os 5 andares de escada, pois assim tinha um tempo a mais para respirar antes de voltar à labuta.


A tarde sempre passava voando e quando olhei para o relógio e vi que já eram 16h55, me deu aquele alívio de sempre. Na verdade, me deu um alívio duplo, pois eram apenas 5 minutos para o meu fim de semana.

Não tinha sido um dia diferente dos outros, mas, como sempre, eu queria muito voltar para casa, tomar banho, me espalhar no sofá-cama e assistir meu seriado preferido.

Eu desci as escadas, dei um tchau para o porteiro e, quando coloquei os pés na calçada, vi que meu ônibus já estava vindo. Corri para atravessar a rua. Ao olhar para o lado, eu vi uma luz e depois, tudo se apagou. Quando eu consegui abrir os olhos novamente, não vi nada. Então, olhei para mim. Não vi nada.

17 de agosto de 2008

Modalidade olímpica: pensar no tempo sem enlouquecer


Essa história de Olímpiadas na China me fez voltar a pensar no tempo de novo (Eu já pensei sobre ele aqui http://maisqueblablabla.blogspot.com/2007/11/sabe-o-tempo.html).

Poucas coisas no mundo são tão estranhas quanto ligar a TV no sábado à noite e ouvir o comentarista falando “Hoje faz uma bonita manhã de domingo aqui na China”.

COMO ASSIM DOMINGO?!?

Era sábado, dia 16, tava lá no calendário.

Tem aquela lei da Física (que eu esqueci o nome) que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço. Transponho essa idéia para o tempo, eu pergunto: como pode ser sábado e domingo ao mesmo tempo?!?

É muito estranho assistir os jogos Olímpicos e, no sábado à noite, ver o atleta ganhar uma medalha ... durante a linda manhã de domingo chinesa! Às vezes me dá a impressão de estar vendo o futuro acontecer, pois vejo na TV os acontecimentos do dia seguinte. Eu vi o que estava acontecendo no domingo.

Não é estranho pensar que na China (e nos países do lado de lá), tudo acontece antes de acontecer aqui? Lá amanhece primeiro, anoitece primeiro, o dia seguinte chega antes... dá uma certa inveja, pois é como se o futuro chegasse primeiro lá, como se nós vivêssemos em constante atraso.

Talvez isso seja verdade, e o Brasil esteja sempre perdido em algum lugar do passado... talvez isso explique como nós conseguimos ficar atrás de países como o Cazaquistão, o Azerbaijão e a Mongólia no quadro de medalhas... (não acredita, olhar só
http://esportes.terra.com.br/pequim2008/interna/0,,OI3068380-EI10378,00.html)



7 de agosto de 2008

10 descobertas que vão mudar o mundo


1- As fôrmas dos sapatos aumentaram

Eu calço 34 e como se já não bastasse a pequena dificuldade em achar sapatos do meu número, descobri que os sapatos 34 simplesmente não me servem mais. Desde os 11 anos eu calço 34 e sempre comprei sapatos que ficavam certos no meu pé, mas todos os últimos sapatos que comprei ficaram meio grandes. É bem provável que a industria dos sapatos (industria sapateira? sapatista? calçadista? sei lá, enfim...) resolveu agradar as mulheres de pé grande e aumentaram a fôrma dos sapatos, ou seja, quem comprava sapato 40, agora pode comprar 38 e ser feliz! E eu? vou ter q comprar 33? 32? Eu adoro a Hello Kitty, mas ter q usar aqueles sapatinhos cheio de desenhinhos e purpurina, não vai dar...
Por falar em Hello Kitty, isso me leva a descoberta número 2.

2- Solteiros não arrumam a cama

As colchas da minha cama e da minha irmã estavam velhas e por isso decidi comprar umas novas. Eu andei em milhares de loja e não achava colchas para cama de solteiro e eu ainda precisava de duas iguais (uma pra mim e outra pra minha irmã). Só existem colchas de casal e infantil... ou seja, aos 12 as pessoas param de arrumar a cama e só voltam a fazer isso depois do casamento.. bom, sei lá, eu sempre arrumei a minha, até porque acho meio porquice deixar o edredom em cima da cama, aí vai um e deita, vai outro coloca o pé em cima e à noite você dorme naquilo. Eu estava quase aceitando o fato de que teria que comprar uma colcha da Hello Kitty ou da Moranguinho, quando achei duas colchas iguais, muito rosas. No final, a colcha da Hello Kitty seria mais discreta.

3- O nervoso te impede de sentir dor

Depois de passar apenas umas 5 horas me arrumando pra uma festa de formatura, fui colocar o vestido que usaria (um vestido que queria há muito tempo ...), quando, de repente, o vestido resolveu se auto-destruir em 30 segundos. O bordado começou a desmanchar e eu dei graças a Deus por ele resolver se suicidar em casa, pois se tivesse ido pra festa com ele, teria ficado pelada. É claro que, antes de dar graças a Deus, eu dei um piti. Surtei! Tive que ir com outra roupa e terminar de me arrumar correndo... O nervoso foi tanto que, só no dia seguinte, percebi que tinha queimado meu braço e meu rosto em dois lugares com o baby-liss e sequer tinha percebido. Tudo bem que, quando eu vou tirar sangue, fico nervosa, dou piti... e dói do mesmo jeito. Talvez o nervoso só impeça dores causadas por queimadura, vai saber...

4- Falta de memória te faz uma pessoa injusta

Eu ODEIO quando alguém mexe nas minhas coisas. ODEIO em dobro quando mexe em algo meu e não coloca no lugar de onde tirou. ODEIO ao cubo quando além de mexer sem pedir, não coloca no lugar de onde tirou e a coisa... some. Nos últimos dois meses, minha casa estava uma bagunça por causa da reforma e várias coisas minhas sumiram. Sempre que eu acusava alguém, falando que a pessoa tinha perdido aquilo que era meu, pronto... eu achava e percebia que eu mesma tinha guardado naquele lugar e tinha esquecido.

5- Lugares menores se sujam mais facilmente

A minha casa tinha uma cozinha enorme e eu fazia qualquer coisa (ou quase qualquer coisa... ou uma lista grande de coisas) só pra não ter que passar pano na cozinha. Depois da reforma, a cozinha ficou muito menor e, não sabemos porque, está sempre suja! A outra cozinha, que era enorme, vivia limpia. A cozinha nova é assim: olhou, sujou!

6- Reformas são mais efecientes para o emagrecimento do que academias

Ano passado, eu passei o ano todo indo 3 vezes por semana na academia para emagrecer 2 míseros quilos. O meu pai passou apenas 2 meses "vigiando" a reforma e emagreceu uns 10. Talvez haja alguma ligação entre os ponteiros da balança e os dígitos da conta corrente.

7- Dinheiro não compra as pessoas

Embora muita gente ache que dinheiro compra tudo, inclusive amigos, isso não é verdade. Nesses últimos meses aconteceram algumas coisas que me fizeram ver que nem mesmo muito dinheiro pode comprar amigos para uma pessoa chata, insuportável e arrogante. Infelizmente, não posso dar mais provas sobre o caso, pois a pessoa chata, insuportável e arrogante seria identificada.

8- Tem (des)gosto pra tudo

Se tem uma coisa que me faz odiar rodeios são os peões. Não os peões que montam nos touros e cavalos, mas aqueles peões nojento e melecas que ficam circulando pela festa, pagando de gostoso e tentando seduzir todas as mulheres do lugar. Quando um desses se aproxima de mim, eu tenho vontade de enfiar uma bomba bem no meio da cara dele. Pensava que todas mulheres, ou ao menos as mulheres que eu conhecia, também pensassem assim. Ledo engano. Algumas discordam plenamente e ainda apelidam essa pseudo-espécie de homens de "Cat". Na minha opinião, eles estão mais pra rato, lesma ou qualquer bicho melequente e asqueiroso... argh! Também não posso dar maiores informações sobre o caso para preservar a identidade da pessoa em questão. A coitada já paga mico suficiente tirando foto "cos peão de rodeio".

9- Na Unicamp nunca tem aula na primeira semana do semestre (ou, ao menos, no IEL)

Nesses meus quase 6 anos de Unicamp, eu nunca tive aula na primeira semana. No máximo, tive uma apresentação de curso de 20 minutos. Esse é o lado negativo das universidades públicas: os professores são influentes e, no começo do semestre, estão sempre voltando de algum congresso, terminando algum relatório ... ou simplesmente fazendo de conta que estão fazendo algo importante e não podem dar aula.

Essa descoberta já é antiga, mas achei bom colocá-la aqui para avisar algum desavisado.

10- As músicas de balada sempre têm letras idiotas

Nós vivemos reclamando que axé e pagode não tem letra que preste, mas passamos horas e horas ouvindo música eletrônica "muito boa". Muito boa ... pra quem não sabe inglês. Boa parte delas tem uma estrofe de 5 linhas que se repete ao longo dos 5 minutos de música. Outras, tem letras tão pornográficas quanto as do É o tchan. E, por fim, tem aquelas com letras totalmente sem sentido. As músicas de balada sempre tem letras idiotas, mas continuo gostando delas mesmo assim.


Boomp3.com