11 de agosto de 2013

Relatos de viagem: Acontecidos da Alemanha

Durante e depois de uma viagem pra Europa, escrevi alguns relatos e pensamentos sobre as cidades e países que visitei. Vou publicá-los aqui, talvez valha a pena lê-los.



Acontecidos da Alemanha:


1.Todo mundo sempre me falou que os alemães são super honestos e certinhos, que na Alemanha não tem catraca no metrô, mas todo mundo paga a passagem; que os pedestres não atravessam a rua no sinal vermelho, mesmo se não tiver nenhum carro vindo... e blá blá blá. Tudo mentira. O metrô em Colônia, por exemplo, é caro, custa €2,70. Lá você compra o ticket dentro do metrô e vi muita gente entrar no metrô e não comprar o bilhete, minha amiga mesmo (que é alemã) não comprou o ticket do metrô vaaaárias vezes. Aí eles ficam de olho pra ver se entra algum fiscal no metrô, se entrar, eles compram o bilhete e pronto (a multa pra quem for pego sem bilhete é €40).


2.Também tinham me falado que na Alemanha não existe limite de velocidade. Fomos de carro de Colônia até Berlim e vi placas de limite de velocidade a viagem toda. Em geral, o limite era 120km/h, mas os alemães realmente andam muito mais rápido que isso, apesar de ter radar nas rodovias – quando estava lá, meu amigo recebeu uma multa de quase €200 por ter ultrapassado o limite de velocidade. Fiquei lá pouco tempo, mas acho que as pessoas lá dirigem com muito mais prudência que os brasileiros, não vi ninguém fazendo zigue-zague nas rodovias ou ultrapassagens ultra-arriscadas, como a gente vê aqui no Brasil o TEMPO TODO. Aliás, brasileiro é um povo que dirige mal pra caramba, não porque não saiba, mais porque é burro mesmo e simplesmente ignora os riscos dessa imprudência. Ontem mesmo vi um cara dirigindo na Rod. Dom Pedro sem o cinto de segurança e com uma lata de cerveja na mão. Ah: na Alemanha não existe pedágio (mas em Portugal, Itália e Holanda tem).

3. Uma das coisas mais legais (e também mais tristes) da Alemanha é você pensar em como o país teve que se reerguer quase do zero após a Segunda Guerra Mundial. O país inteiro foi praticamente destruído, reduzido a pó, e os alemães tentaram reconstruir tudo que foi possível. Ainda hoje, muita coisa está sendo reconstruída. Em Berlim, por exemplo, eles estão reconstruindo um palácio que ficava bem no centro da cidade. Mas essa vontade de preservar a história também tem seu lado negativo. Quando estava na casa do Goethe, em Frankfurt, li uma placa explicando que a casa dele foi completamente destruída na Segunda Guerra e depois foi reconstruída, exatamente igual. Então fiquei me perguntando, se a casa onde o Goethe morou foi destruída, aquela casa reconstruída onde ele nunca colocou os pés, ainda é a casa do Goethe?

4. O custo de vida na Alemanha é muito barato. Só pra ter uma ideia: um desodorante lá custa €1,80 e uma caixa com 18 tabletes daquele chocolate do Kinder Ovo (mas com o dobro de tamanho do que é vendido aqui no Brasil), custa €3. Meus exemplos não são muito bons, mas é que eu fiquei chocada com o preço do desodorante rs.

5. Aliás, outra coisa importante: os chocolates na Alemanha são muito mais gostosos do que aqui. E nem precisa pagar caro não, qualquer chocolate que você comprar no mercado já é mais gostoso. Mas lá os doces/sobremesas não são tão doces quanto aqui. No dia do aniversário da mãe da minha amiga, ela fez várias tortas, estavam uma delícia, mas confesso que faltou um leite condensado na receita.

6. Boa parte da energia na Alemanha é proveniente de energia nuclear e desde o desastre de Fukushima, os alemães estão protestando contra esse tipo de energia (vi vários cartazes em Berlim sobre isso). Mas a Alemanha também investe muito em energia eólica. No caminho de Berlim para Colônia, vi vários pontos de produção de energia eólica, pareciam uma plantação de cataventos gigantes. Também fiquei bem espantada durante o voo de Frankfurt pra Londres ao ver, no meio do Canal da Mancha, uma área de produção de energia eólica em uns bancos de areia.

7. Quando estava lá, também era aniversário da minha amiga e fiquei surpresa com a quantidade de telefonemas que ela recebeu. O dia todo. Todo os amigos e parentes ligaram pra dar “Parabéns” pra ela. Eu disse que no Brasil não era assim, então ela me perguntou como era. Eu falei que aqui a gente recebe uma ligação de Parabéns dos amigos muito próximos e de alguns parentes, e só. E que normalmente as pessoas deixam pra ter dar Parabéns na comemoração do aniversário. Ela me perguntou: mas e quem não for na comemoração? Não dá Parabéns, ou dá pelo facebook. Eu também reparei que as pessoas parecem se preocupar muito com o presente que elas dão, minha amiga e a mãe dela não ganharam nenhuma roupa, por exemplo, elas ganharam presentes que precisavam, que iam gostar muito ou que teriam algum significado sentimental grande. As pessoas também SEMPRE dão uma cartão junto e não escrevem uma mensagem de duas linhas como a gente escreve (e como eu escrevi pra minha amiga), mas escrevem mensagens enormes. Infelizmente, não sei o que eles costumam escrever, porque não sei alemão e achei que ia ser inconveniente demais pedir pra minha amiga traduzir alguma mensagem pra mim rs.

8. Nós, brasileiros, nos gabamos por sermos super simpáticos e legais e receptivos e amorosos com todo mundo, mas enquanto eu estava fora, fiquei pensando se não há um certo vazio em toda essa simpatia. Do que adiantar ser simpático com todo mundo e não ligar pro seu amigo pra dar um Parabéns de verdade, ao invés de mandar uma mensagem pelo facebook? Eu acho que aqui no Brasil a gente dá atenção pra todo mundo e acaba não sendo amoroso de verdade com (quase) ninguém. É lógico que nossa simpatia tem o seu lado bom, se você for num bar sozinho no Brasil, com certeza em pouco tempo você começa a conversar com alguém, faz uns amigos, se diverte. Na Alemanha, isso não aconteceria jamais, as pessoas não vão conversar e ser simpáticas com um estranho. É verdade que os alemães são meio frios inicialmente, lá todo mundo que não me conhecia me cumprimentava com um aperto de mão, e só. Era até estranho. Mas é só eles te conhecerem melhor que tudo muda. Depois de passar o fim de semana com a família da minha amiga (tios, primos, avós), eles já estavam fazendo piada com a minha cara, arriscando umas palavras em português e na hora de me despedir, o aperto de mão deu lugar a um abraço. Não acho que devemos abrir mão da nossa “simpatia generalizada”, mas precisamos aprender a valorizar mais os amigos de verdade e essa história de redes sociais parece que está só piorando as coisas. Voltei de lá prometendo a mim mesma que iria melhorar isso, que daria mais valor àquela parte dos amigos que mais importa: a presença deles.

Relatos de viagem: Acontecidos de Portugal

Durante e depois de uma viagem pra Europa, escrevi alguns relatos e pensamentos sobre as cidades e países que visitei. Vou publicá-los aqui, talvez valha a pena lê-los.



Acontecidos de Portugal:

1. Em Portugal eu fiquei pouco tempo, então não tenho muito pra contar. Bom, muita gente tinha me aterrorizado sobre a questão da língua, aquela velha história de que brasileiros e portugueses falam a mesma língua, mas não se entendem. Mas... eu não tive nenhuma dificuldade em entender os portugueses. Talvez seja porque eu falo tão rápido quanto eles.



2. Eu já sabia que na Alemanha as faixas de pedestres realmente funcionam – se você estiver na calçada, perto da faixa, os carros já param -, mas fiquei surpresa ao ver que em Portugal os motoristas também param na faixa de pedestre. Até em Portugal. A gente precisa mudar isso no Brasil, urgente.




3. Eu não gostei muito de Lisboa, achei a cidade meio abandonada, parece que está tudo caindo aos pedaços. Porto, por exemplo, é uma cidade muito mais bem cuidada e mais bonita.




4. Como já tinham me adiantado, Portugal foi o país mais barato da viagem. Paguei apenas €9,00 para ficar num quarto compartilhado num hostel e gastei €8,80 no restaurante (entrada, almoço e um refrigerante).




5. Eu achei que os brasileiros são muito parecidos com os portugueses, principalmente os cariocas, pelas ruas de Portugal vi muita gente que tinha cara de carioca. Isso me fez pensar que apesar de toda imigração e miscigenação brasileiras, nós ainda somos muito portugueses.




6. Uma das coisas mais legais que fiz em Portugal foi visitar uma cave de vinho do Porto (o local onde o vinho fica para envelhecer antes de ser engarrafado). Achar a Real Companhia Velha foi uma aventura. Compramos o Porto Card que nos dava direito a algumas entradas grátis em museus e também a essa cave. O problema é que ela ficava longe, bem mais longe que as outras, mas como queríamos fazer o dinheiro do Porto card valer a pena, lá fomos nós. Depois de muitas risadas e de um percurso bizarro numa calçada minúscula, chegamos a cave e descobrimos que, sem saber, fomos justamente para a cave mais antiga de Portugal. Mais uma dessas coincidências que acontecem em viagens.




7. E pra fechar os acontecidos, aquilo que faltava: histórias de portuguesices. História 1: quando fui pegar o ônibus de Lisboa pra Porto, entrei no ônibus e não achava o número da poltrona de jeito nenhum. Fiquei que nem tonta procurando, procurando, e adivinha onde fica o número da poltrona? Atrás da poltrona!!! Super prático, porque se você quiser confirmar se sentou na poltrona certa, precisa levantar pra olhar atrás da poltrona. História 2: eu e minha amiga queríamos ir pra praia em Porto, mas não achamos o ponto pra pegar o ônibus no sentido praia, só no sentido inverso. Mas como eram só 4 paradas, pegamos o ônibus e aí iríamos até o ponto final e depois continuaríamos dentro do ônibus. Depois que entramos, minha amiga perguntou pro motorista se podíamos fazer isso. Ele disse que não, que quando chegasse no ponto final a gente teria que sair do ônibus e entrar de novo. Então minha amiga perguntou se a gente não podia continuar dentro do ônibus e só passar o cartão de novo. Ele disse que não. Imagina a cena: o ônibus parou, a gente desceu e entrou de novo.

Relatos de viagem: Acontecidos da Itália

Durante e depois de uma viagem pra Europa, escrevi alguns relatos e pensamentos sobre as cidades e países 
que visitei. Vou publicá-los aqui, talvez valha a pena lê-los.

Acontecidos da Itália:

1. Veneza é uma cidade surpreendente. Antes (há muito tempo atrás), Veneza era uma cidade com casas construídas em cima dos bancos de areias. Depois fizeram palafitas de madeiras e construíram a cidade em cima. E isso foi há muitos tempo atrás, ou seja, o pessoal de Dubai acha que está arrasando fazendo ilhas artificiais, mas os venezianos construíram uma cidade inteira artificialmente muitos anos antes deles. Apesar de se falar que Veneza irá sumir nas águas em breve, quando estava lá, senti que aquela cidade ainda vai durar muitos e muitos anos.

2. Perto da cidade onde minha amiga Juliana mora, fica uma cidade chamada Montecchio, onde estão os castelos de Romeu e Julieta. Nós visitamos os dois castelos e no castelo do Romeu encontramos um senhorzinho, o Francesco, que contou a história de Romeu e Julieta pra gente nos MÍNIMOS detalhes. Ele falou por quase uma hora, de uma maneira muito convincente, era um excelente contador de histórias. Saímos de lá acreditando que Romeu e Julieta realmente existiram... como o Francesco disse: a história não é 100% história, e nenhuma lenda é 100% lenda.


3. Na Itália, também visitei a cidade de Padova e a Universidade de Padova, umas das mais antigas do mundo, fundada em 1222. Muitas descobertas importantíssimas foram realizadas lá, como a existência do pâncreas, das trompas de falópio... mas com certeza o acadêmico mais ilustre da universidade foi Galileu Galilei. Também foi nesta universidade que se formou a primeira mulher da história, Elena Lucrezia, em 1678. Super recomendo a visita guiada pelo Palazzo del Bo, a parte mais antiga da universidade.


4. Outra coisa inacreditável da Universidade de Padova: no bandejão de lá, a bebida é a vontade e inclui suco, refrigerante, cerveja e vinho. Cerveja e vinho à vontade. Enquanto isso, no bandejão da Unicamp temos as opções de suco roxo, suco laranja claro, laranja escuro, meio vermelho. Todos com o mesmo gosto de água colorida com açúcar.


5. Também em Padova visitei a igreja de Santo Antonio. A igreja tem um intrigante cheiro de flores e é interessante ver como os afrescos da igreja refletem as contradições e embates entre ciência e religião, trazendo até mesmo uma árvore genealógica de Jesus Cristo.


6. O norte da Itália tem cidadezinhas muito lindas, passei por Valdagno, Recoaro, Montecchio, Padova, Verona... todas elas com centros históricos lindos e (restos de) construções que datam do Império Romano. Valem a visita.


7. Foi na Itália que tomei o vinho mais barato (€ 0,80 a taça), numa estação de esqui com uma vista linda dos alpes. Também paguei apenas €2 numa taça de prosecco e comi uma pizza deliciosa de alcachofra e cogumelos. Antes de ir pra lá, tinham me falado que as pizzas italianas não eram tão boas e que as do Brasil eram melhor. Era mentira.


8. Uma amiga me disse que quando eu chegasse na Itália entenderia um pouco sobre o Brasil. Descobri que a Itália também tem seu “jeitinho”, mas a diferença é que lá o jeitinho não dá certo. Eu e uma amiga fomos enroladas em Roma. Dica importante: sempre fuja de promoções e qualquer outra opção que prometa te poupar tempo/dinheiro, o jeitinho italiano não funciona.


9. Já em Roma, enquanto estávamos fazendo o check-in no hostel, chegou um casal de gringos e eu ouvi a mulher falando em inglês que “eles tinham se conhecido lá há 4 anos e agora estavam casados”. Depois, fomos pro Pub Crawl que começava no bar do hostel e enquanto estávamos indo pro segundo bar, a mulher daquele casal veio até nós e nos perguntou: “vocês são brasileiras? O meu marido também é”. Ela, uma canadense de origem grega, ele tinha uma super cara de gringo, mas era um brasileiro de Florianópolis. Se conheceram no hostel há 4 anos, tinham se casado no sábado anterior e voltaram para Roma para a lua-de-mel. Não estavam hospedados no hostel, mas decidiram ir até lá ver o local onde se conheceram. E nós tivemos a oportunidade de conhecer essa história que a gente pensa que só acontece em Hollywood.


10. Ainda no clima Hollywoodiano, vimos um pedido de casamento na Fontana de Trevi. Todo mundo que estava lá (e era muito gente), começou a gritar e bater palmas. Mas confesso que fiquei decepcionada porque o casal não entrou na fonte. Acho que eles não assistiram “La docce vita”, nem “Elsa e Fred”.


11. Em Roma faz muito calor, MUITO. Era impossível continuar andando pela cidade depois das 14h. Quase tivemos alucinações no Palatino. O lado ruim disso tudo é que no calor não dá muita vontade de comer e não consegui aproveitar de verdade todas as massas deliciosas que comi - às vezes, comi meio a força mesmo e a massa só desceu goela abaixo. Uma pena.


12. No dia em que fomos ao Vaticano, encontramos o padre Jose Maria, que rezou uma missa para nós nas cryptas do Vaticano. Foi uma experiência incrível e surpreendentemente emocionante - eu não esperava me emocionar como me emocionei. Naquele dia, o Papa estava de saída para o Brasil e se tivéssemos nos atrasado uns 10 min, teríamos o visto de perto. Depois da missa, fomos tomar um café com o padre e descobrimos que ele (um espanhol que mora no Rio de Janeiro e estava em Roma estudando para o doutorado) é ciclista, mas ciclista de verdade mesmo, daqueles que tem bicicleta profissional e sobe a Vista Chinesa. Nunca pensei que conheceria um padre ciclista.


13. Para minha surpresa, descobri que entendo italiano. Não falo nada, mas consigo entender as pessoas falando, especialmente porque os italianos não falam muito rápido, eles tem aquele jeito cantado de falar, que vai te levando...


14. Não achei os italianos (nem as italianas) tão bonitos.


15. Roma é uma das cidades mais fantásticas que visitei e se tivesse que fazer uma lista de "lugares que você deve conhecer antes de morrer", Roma estaria em 1o lugar. Tudo lá é grandioso, as ruas, as construções e até às árvores... E 3 dias são muito poucos para Roma. Deixei a cidade prometendo voltar.

Relatos de viagem: Acontecidos de Paris

Durante e depois de uma viagem pra Europa, escrevi alguns relatos e pensamentos sobre as cidades e países que visitei. Vou publicá-los aqui, talvez valha a pena lê-los.

Acontecidos de Paris:

1. Hoje de manhã, vi um mendigo sentado num café-bar tomando uma garrafa de vinho. Assim, todo sujão, tomando vinho.

2. Hoje vi o primeiro francês sarado. Em geral, os franceses são muito magros.

3. Na França tem muito turista chinês. MUITOS. As chinesas são mto bonitas, parecem de porcelana.

4. Só hoje vi gordinhas em Paris. Aqui, não tem gente gorda. Em geral, os franceses são muito magros.

5. As mulheres francesas não são tão bonitas quanto falam. Elas andam bem arrumadas e estão SEMPRE maquiadas. Mas em toda cidade grande é assim, em São Paulo as mulheres também andam bem vestidas.


6. Os franceses não fumam tanto quanto eu imaginava. Aliás, é bem raro ver alguém fumando na rua.


7. Nos restaurantes e bares, sempre tem mesas nas ruas e as pessoas sempre sentam viradas pra rua. Tipo TODO MUNDO olhando o movimento. A gente não faz isso no Brasil.


8. Hoje, no metrô, uma mulher que estava com um carrinho de bebê caiu na escada, o carrinho saiu andando escada abaixo. Todo mundo gritou. Parecia cena de filme. Socorreram a mulher, e o carrinho. Quando passei por eles, a bebezinha dormia feito um anjo.


9. Tem muitos árabes e negros em Paris. E os negros são mto negros, não são mestiços como no Brasil.


10. O cara que entrega o audio-guia do Chateau de Versailles é muito ninja. Ele virou pra mim e falou: Brasil?


11. O Chateau de Versailles é muito grande. MUITO mesmo. Imagina uma coisa grandiosa e luxuosa, multiplica por 100, é o Chateau de Versailles. Esses europeus tem muita mania de grandeza.


12. O Brasil tem essa fama de "bunda de fora", mas as europeias andam muito mais peladas que a gente, tipo com um mini-micro-short. Acho injusto essa fama brasileira.


13. Colônia, na Alemanha, é cortada pelo rio Rheine, super limpo. Paris é cortada pelo Sena, que também é limpo. São Paulo tem dois rios, que mais parecem esgoto a céu aberto. Muita vergonha de São Paulo.


14. Hoje voltei pra casa às 00h30. Tinha muita mulher voltando pra casa sozinha, no metrô. Eu era uma delas. E ninguém estava com medo de ser assaltada, assinada, estuprada. É muito triste saber que podia ser assim no Brasil, mas não é. O Brasil é um país muito bonito, mas ainda tem muita, muita coisa pra melhorar. Eu queria morar num lugar onde eu não precisasse ter medo de andar na rua.


15. É muito surreal andar pelas ruas de Paris. Me sinto num filme. Tipo "Meia Noite em Paris" ou "O Fabuloso Destino de Amèlie Poulain".

13 de abril de 2013

Justiça pra quem?


Sempre que assuntos polêmicos tomam conta da sociedade brasileira, a repetição das ideias preconceituosas e autoritárias de imbecis como o Datena inunda as redes sociais. Quase sempre, não consigo me conter e não dar minha opinião sobre o assunto em meio a tantas baboseiras... e o assunto da vez é a redução da maioridade penal.

Uma questão é bem clara pra mim: não é a redução da maioridade penal que vai resolver a criminalidade entre os jovens. Se botar pessoas na prisão diminuísse a violência, o Brasil seria um dos países mais seguros do mundo pois, afinal, é um dos países com maior rede carcerária (Além disso, as prisões não foram feitas pra reeducar os criminosos muito menos para evitar casos de violência no futuro, mas essa é uma discussão complexa demais pra um post...). Também fico extremamente chocada com os crimes cometidos por jovens com menos de 18 anos, mas prendê-los não vai resolver a raiz do problema.

A única maneira de diminuir a criminalidade, especialmente entre os jovens, é oferecendo melhores condições de vida para TODA a população. Milhares de famílias brasileiras sobrevivem com um salário mínimo. Enquanto isso, conheço jovens que gastam esse dinheiro, todo mês, em bares e baladas. Tem gente que paga 2 salários mínimos em uma calça ou uma bolsa.

Além disso, é essencial que todos os jovens tenham acesso a uma educação com qualidade que realmente cumpra com sua função: formar cidadãos mais críticos, capazes de construir um futuro melhor para o país. Mas isso nunca vai acontecer, sabe por quê? Porque se todo mundo tiver uma formação/educação de qualidade, ninguém vai se sujeitar a fazer serviços mal remunerados, como ser faxineira, garçom, entregador de pizza, varredor de rua, segurança... e, consequentemente, a sociedade brasileira vai ruir, pois vivemos num país que sobrevive graças a desigualdade social.

É preciso que haja pobres e pessoas sem formação para sustentar a vida luxuosa e cheia de mordomias da parcela mais rica da população. Aliás, até mesmo nós – que não somos ricos – temos nossas pequenas mordomias do dia a dia e para que cada mordomia dessa nos seja oferecida, alguém está sendo explorado (ou você já parou pra pensar em quanto ganha o vendedor da loja onde você compra suas roupas ou o cara que fica a noite toda olhando seu carro no estacionamento?).

E não é fácil ser explorado, trabalhar 40 semanais e depois receber um salário que mal dá pra pagar as contas. Lembro quando dava aula em uma escola pública à noite, eu tinha muita dó dos alunos, eles trabalhavam o dia todo e à noite iam para escolar estudar, mas de tão cansados, não tinham ânimo pra nada. Isso não é justo, aos 16 anos eles deveriam estar apenas estudando. A vida desses jovens também está sendo roubada, eles ainda nem chegaram a fase adulta, mas já tem um futuro bem definido: assim como os pais, boa parte deles vai passar a vida fazendo serviços pouco valorizados com uma remuneração irrisória. E ninguém se preocupa com isso.

É claro que isso não é motivo para sair por aí matando os outros, mas a questão é que nem todas as pessoas conseguem se sujeitar à exploração a vida inteira. Algumas conseguem, e sofrem caladas, vendo a felicidade dos outros pela TV. Mas outras não aguentam a pressão, rebelam-se e decidem resolver suas vidas do seu jeito. É engraçado pensar que aqueles que roubam e aqueles que querem a redução da maioridade penal (ou punições mais severas) fundamentam seus atos/opiniões em um mesmo argumento: fazer justiça. Mas justiça pra quem?

A desigualdade social tem dois lados: em um deles, você ganha explorando o trabalho quase escravo dos mais necessitados, no outro lado, são eles que ganham a vida roubando você. Para a violência acabar, a exploração dos mais pobres também tem que acabar. O primeiro passo para viver num país sem violência, é estar disposto a fazer a sua parte na construção de uma sociedade mais justa. Agora quero ver quem está disposto a abrir mão das mordomias do dia a dia...

1 de janeiro de 2013

Entre cabras, espinafres e asneiras sem fim.


Não li e nem vou ler essa reportagem da Veja, que deve ser uma bosta porque a revista inteira é uma bosta. Não me espanta nenhum pouco que a Veja continue fazendo matérias idiotas, preconceituosas e totalmente manipuladoras, porque, afinal, foi isso que ela sempre fez - e continuará fazendo! 

O que me incomoda mesmo é as pessoas continuarem utilizando como argumento contra a união estável de homossexuais essa história de ser proibido por lei, porque na lei o casamento só existe entre um homem e uma mulher e blá blá blá, como se as leis fossem imutáveis e tivessem sido sempre as mesmas desde o início da civilização. As leis mudam, você deve ter aprendido isso na escola, lembra? 

Caso você não se lembre, vamos a uma breve recapitulação: a lei já permitiu a escravidão, já permitiu o casamento com menores de idade (ter uma mulher de 14 anos não era pedofilia há alguns séculos), já proibiu as mulheres de frequentar a escola e de votar, já proibiu casamento entre pessoas de raças diferentes, já proibiu que negros e brancos frequentassem os mesmos lugares, já permitiu a pena de morte para adúlteros, já permitiu carga horária de trabalho superior a 50 horas... Aliás, a lei já permitiu até fazer justiça com as próprias mãos! Eu poderia passar o dia todo fazendo uma lista de fatos que eram permitidos por lei e que hoje são considerados terríveis por ferirem os direitos humanos e a igualdade entre os homens. 

Felizmente, as leis evoluem junto com as mudanças sociais, com os avanços intelectuais e com o crescimento do senso de igualdade entre as pessoas. E acho que já passou da hora das pessoas pararem com esse mimimi preconceituoso contra o casamento de homossexuais... pois não faz sentido algum lutar e brigar para que as pessoas não tenham o mesmo direito que você. 

E, se eu fosse você, nem perderia tempo tentando encontrar um argumento realmente válido contra o casamento homossexual, porque esse argumento simplesmente não existe, pois nada no mundo justifica tratar as pessoas com diferença. (E nem me venha com argumentos religiosos, porque até onde sei, na Bíblia tá escrito que Jesus falou que devemos amar ao próximo como a nós mesmos, e ele não fez nenhuma ressalva sobre homossexuais. Então, fica quietinho aí e obedece Jesus!). Se somos todos iguais perante a lei e temos os mesmos deveres (porque gay também vota, paga imposto e recebe multa de trânsito que nem você), também devemos ter os mesmos direitos! E tem gente que ainda acha sem sentido o ENEM bater na tecla da "proposta de intervenção que respeite os direitos humanos". Ao que tudo indica, tem muita gente que ainda não aprendeu o que a expressão "direitos humanos" significa.


28 de junho de 2012

Ou faça seu trabalho bem feito, ou não faça



Se tem uma coisa que eu acho insuportável é gente com má vontade. Sabe quando você vai em uma loja, lanchonete, mercado ou seja lá o que for, e o operador de caixa te atende com a maior má vontade do mundo?! Você pergunta, ele ignora ou responde de qualquer jeito. E fica lá, te olhando com aquela cara de bunda. Tudo bem, estar trabalhando no caixa de um supermercado no meio de um feriado, enquanto faz o maior sol lá fora, não deve ser nenhum pouco empolgante. Mas isso não é culpa minha. Não tenho culpa se ele está trabalhando no feriado, se ele ganha pouco ou se odeia o trabalho. E a partir do momento que ele aceitou aquele emprego, que o faça direito.

O mesmo vale para aquelas pessoas que são donas do próprio emprego/comércio e te tratam como se elas estivessem te fazendo um favor, pelo simples fato de existirem no mundo, terem aberto aquele estabelecimento e te oferecerem aquele serviço. É você quem deve agradecer a eles, não o contrário. Tem um sapateiro perto de casa que é assim. Toda vez que eu vou lá, saio com vontade de ter tacado o sapato na cara dele ou enfiado o salto bem no meio da testa.

Essa semana, passei por outra situação assim. Situação que deixa bem claro o significado das palavras má vontade e incompetência.

Fui em uma assistência técnica levar meu depilador para consertar. Entrei, esperei um século até o senhor que estava sentado perto da bancada se tocar que deveria me atender – ele simplesmente me ignorava, acho que minha cara deve ter deixado claro minha impaciência e ele resolveu me atender. Falei que queria consertar o depilador. A primeira pergunta que ele fez foi: “está na garantia?”. Respondi que não e rapidamente ele retrucou: “Mas por que você não compra um novo? Um desses não custa nem 100 reais” (um igual ao meu custa R$160). Mentalmente, mandei aquele velho catar coquinho. No mundo real, só respondi: “porque que não quero comprar outro”. Depois disso, um rapaz me atendeu e eu deixei o depilador lá, mas já sabia que eles inventariam alguma desculpa para não consertá-lo. Dito e feito. Cinco dias depois me ligaram, dizendo que como o aparelho era velho, eles não acharam a peça para fazer o conserto.

Hoje eu voltei lá, peguei o depilador e levei em outra assistência técnica. É sempre bom ouvir uma segunda opinião. Além do mais, eu realmente não quero comprar um novo, porque dinheiro ainda não tá nascendo em árvore aqui em casa. Chegando na outra assistência, um homem veio me atender e a primeira pergunta que ele fez foi: “qual o problema do seu aparelho?”. Eu expliquei e ele disse: “vocês devem ter deixado ele cair, tá vendo essa pecinha aqui?! Ela tá quebrada, é por isso que ele tá frouxo”. Sem dizer mais nada, ele foi pra dentro da loja e voltou, minutos depois, com dois cabeçotes de depilador na mão, e falou: “olha, isso não tem conserto não, tem que trocar o cabeçote inteiro. O único problema é que eu não tenho branco, só tenho nessas cores. É R$48”. Simples assim. Eu voltei pra casa com meu depilador funcionando e economizei mais de R$100 não comprando um novo.

Não sei porque a primeira assistência não quis resolver meu problema. Meu palpite é que eles ganham mais dinheiro consertando produtos na garantia, porque eles devem superfaturar os consertos. Ou então, eles não querem perder tempo consertando produtos de pouco valor. A questão é: era muito mais simples e rápido eles serem competentes. Por que eles simplesmente não falaram que não tinham aquela peça, no dia em que eu fui lá? Teriam me poupado tempo, trabalho e o dinheiro do estacionamento. 

4 de junho de 2012

Guia de viagem - Mais dicas de Buenos Aires


Dois anos depois, eu voltei para Buenos Aires. E depois de quase um ano de abandono, resolvi escrever aqui no blog. Eu adoro compartilhar dicas de viagem, porque quando você vai pra uma cidade grande como Buenos Aires, é muito difícil saber o que fazer, onde comer etc... Então vamos as dicas!


Onde ficar?
Na primeira vez que fui pra lá, fiquei em um hostel lixo, e dessa vez fiquei no alojamento da escola de Espanhol, então não tenho nenhuma experiência em um bom hostel. Mas mesmo assim, tenho três pra indicar: o Hostel Suites Florida, o Ayres Portenos hostel e o Milhouse.


Onde comer?
Cumaná: continuo indicando esse restaurante, a comida é boa e o preço é razoável. Endereço: Rodriguez Peña, 1149, Recoleta.
La Cholita: ao lado do Cumaná. O tipo de comida é bem parecido, mas achei que no La Cholita tinham mais opções de pratos com carne. Outro restaurante no mesmo esquema é o Las Cabras, que fica em Palermo, as opções de comida são bem parecidas, mas esse restaurante é maior que os outros dois.
L'ecole: um restaurante muito bom, também na Recoleta. Paguei 66 pesos por um prato de comida mais uma bebida (refrigerante ou vinho). A comida é deliciosa. Endereço: Calle Junin, 1460, Recoleta.
Onde comi boas empanadas: Comi empanadas em vários lugares, mas as melhores foram na Pizzeria Guerrin (Av Corrientes, 1368) e em uma lanchonete que fica na esquina da Av Mayo com a rua Uruguay. A melhor empanada de todas eu comi nessa lanchonete, então se estiver passeando ali perto do Obelisco, vale a pena caminhar até lá!


O que fazer, o que visitar
Dessa vez, consegui ir em vários museus e parques. Nem todos valem a visita.

Vale a pena ir no Museu da Evita (a partir das 14h)e também fazer a visita guiada na Casa Rosada (somente no fim de semana e feriados). A visita guiada no Teatro Colón também é muito legal, mas é muito cara (110 pesos), só fiz essa visita porque na hora acho que meu cérebro não estava funcionando e eu não parei pra pensar que era muito caro. Mas, pra compensar, tive a oportunidade de ver uma parte do ensaio da orquestra e ver como a acústica do teatro é simplesmente perfeita, os músicos não usam microfone e você consegue ouvir tudo perfeitamente. As apresentações de lá não são muito caras (por esse preço, dá pra ver uma apresentação da orquestra, por exemplo), por isso vale muito mais a pena ir ver uma apresentação do que fazer a visita guiada.

O Jardim Japonês é lindo, mas minúsculo, não vale a visita. O Parque Rosedal é bem bonito e no fim de semana é muito animado. Se você for pra Buenos Aires depois de outubro, vá até o Malba ver o quadro Abaporu. Eu fui, mas infelizmente o quadro está em Houston e ficará lá até outubro.

Vá na feira da Plaza Serrano em Palermo, no fim de semana. A feira é muito legal, tem muita coisa bonita e barata (paguei apenas R$180 em uma jaqueta de couro). Em volta dessa praça, tem muitos bares e eles fazem a feira na praça e também dentro dos bares, achei muito legal. Caminhe por Palermo, o bairro é uma graça.

Vá até a linha A do metro (azul claro) e fique na estação esperando o trem de madeira chegar. Essa é a linha mais antiga de Buenos Aires e tem alguns trens de madeira que são lindos!

Se quiser assistir um filme argentino, vá ao cinema Espacio INCAA, que fica em frente a Plaza do Congresso. Lá só passa filme argentino e o cinema é muito barato, só 8 pesos.

Também fui no Café Tortoni. No fim de semana, tem fila pra entrar. Só vale a pena se você for um amante da literatura e quiser ter o prazer de tomar café no mesmo lugar onde o Borges ia para tomar café.

Vá na feira da Plaza Italia (também no fim de semana) e procure a barraquinha que vende alfajor de maisena (3 pesos), foi o melhor que comi durante toda a viagem. No último dia, fui lá e comprei 15 pra trazer pro Brasil. Se você gostar de empanada, antes de voltar, vá em qualquer mercado e compre a massa pronta pra empanada. Eu comprei, fiz em casa e deu super certo.


O que fazer à noite

Bares e baladas
Na segunda, vá ao Ciudad Cultural Konex na apresentação do grupo La Bomba del Tiempo. Os gringos enlouquecem, mas pra nós que somos brasileiros não é nenhuma novidade, pois esse grupo é tipo um Timbalada, Afro Reggae ou as baterias das universidades. Mas, de qualquer forma, é muito legal e animado, por isso vale a pena ir. O show começa às 20h e custa 50 pesos. Depois do show, vá para o After Bomba no Uniclub (rua Humahuaca, é uma das travessas que começam no Shopping Abastos). Quando eu fui, teve uma banda tocando um pop rock argentino (foi bem interessante conhecer algo de lá) e depois um outro grupo tocando uma batucada à la brasileira. Não se esqueça de guardar seu ingresso do La Bomba del tiempo, aí você paga só 15 pesos.

A argentina tem um problema muito grande para quem gosta de sair à noite: as baladas começam muito tarde, muito tarde mesmo! Se você sair de casa as 23h, vai chegar na balada e ajudar o segurança a abrir a porta. As coisas por lá só começam depois das meia-noite e só ficam boas mesmo por volta das 2 da madrugada! Por isso, recomendo irem ao Pub Crawl, no site tá explicando como funciona. O pub crawl começa as 22h (tem todos os dias!! Buenos Aires tem muitos bares e baladas, muitos!! Só pra efeito de comparação, em Sao Paulo só tem pub crawl  sexta e sábado), eu participei do pub crawl 3 vezes e me diverti muito. Dos bares que eu fui com o pub crawl, os que eu mais gostei foram o Shamrock (Rodríguez Pena, 1220) e o The Spot (Ayacucho, 1261), ambos na Recoleta, e também o The Kamus, na Honduras, 5615, em Palermo Soho. Um outro bar muito legal é o Sugar (Costa Rica, 4619 – perto da Plaza Armenia), o lugar é bonito, a música é boa e lá as coisas começam relativamente cedo (se você for às 21h já tem gente e as 23h já está animado).

Balada mesmo, eu fui na Rumi, na Pacha, na Bahrein e na Lost. A Rumi é muito legal, gostei muito! Já a Pacha, não gostei. O lugar é longe, pequeno e o banheiro é minúsculo (fiquei quase 1h na fila). A Bahrein é uma balada de música eletrônica, mas eletrônica mesmo (aquele putz-putz sem fim), o lugar é legal e a entrada custa 50 pesos. Eu fui na Lost no dia do hip-hop (super minha cara), a entrada foi 20 pesos, mas não lembro o endereço, só lembro que fica em Palermo. O pessoal da escola de espanhol me indicou outras baladas como Tequila, Shampoo, Kika (fique zanzando pela Plaza Serrano que você encontra pessoas dando flyer pra entrar de graça nessa balada), Rosebar (só entra com nome na lista, veja como colocar o nome na lista no facebook deles) e Terrasas del Este (que fica na beira do rio, o pessoal vai e fica lá até amanhecer, dizem que é lindo - quarta e sábado), mas não dava pra ir em todas.

Se você quiser conhecer uma balada tipicamente argentina, onde só tem argetinos e alguns poucos turistas perdidos, vá até o Rey Castro em San Telmo, mas se prepare para ouvir reggaeton e cumbia das boas a noite toda. Se você ficar zanzando pela rua Chile, vai encontrar pessoas entregando flyer pra entrar de graça lá.

Outro problema: quase nenhuma balada ou bar aceita cartão!! Por isso, sempre ande com muito dinheiro, pra pagar as bebidas e o táxi (especialmente se for no pub crawl, porque eles não avisam em que balada vai terminar e algumas são longe – tipo a Pacha e a Rumi). Em um sábado, o pub crawl acabou na Pacha. Estávamos com pouco dinheiro e lá não aceita cartão, por isso acabamos indo embora cedo, pois estávamos com muita sede e não queríamos arriscar ficar sem dinheiro pro táxi (nem água dava pra comprar, porque água lá custa curo, paguei 18 pesos em uma garrafa na Bahrein).

Show de tango
Eu fui em dois, mas foram dois shows para ver orquestras tocando e não dançarinos (não tinha nenhum profissional dançando, não foi um show de dança). Em um domingo, fui no Café Vinilo. O lugar é pequeno, super intimista e lindo! Assistimos o show da Orquestra El Arranque, pagamos 50 pesos. Também fui no Buenos Ayres Club, no Bendita Milonga. Lá, é uma milonga, isto é, um lugar onde os portenhos vão para dançar tango, o que eu achei muito legal! O Bendita/Maldita Milonga acontece nas segundas e quartas. As 21h tem aula de tango (e foi quando eu descobri que é impossível aprender tango) e as 23h começa o show. A entrada custa 25 pesos.


Algumas dicas importantes: se você for no inverno, leve muito hidratante, pois Buenos Aires tem o poder de sugar toda a água da sua pele. Gente, nunca vi minha pele tão seca quanto lá. Para passar na boca, recomendo levarem o Bepantol Derma, você passa na boca antes de dormir e no outro dia já está melhor, porque manteiga de cacau não faz nem efeito.
Se quiser ligar para o Brasil, não use o telefone do hotel ou hostel, procure por um locutório. É tipo uma lan house onde você pode usar a internet e fazer ligações, tem um em cada esquina. Mas pesquisa o preço, pois eu paguei 4 pesos por minuto em um locutório e no dia seguinte achei um que cobrava 2 pesos.


A parte ruim da viagem: Buenos Aires está abandonada. A cidade está suja, tem lixo por tudo quanto é lado. O metrô está sujo e fedido. O táxi está caro demais, a bandeirada está 7,50 pesos (8,30 pesos à noite), quando fui pra lá em 2010 acho que estava 3 pesos. Se você queria ir pra lá fazer compras, esqueça. Está tudo muito caro. Só achei coisa barata na feira em Palermo e em umas lojas (uma delas é a Verde Manzana. Achei algumas lojas baratas na Av Santa Fe, entre o metrô Bulnes e o Pueyrredón). A água continua sendo a água mais cara do mundo, especialmente se você for turista. Tentaram me vender uma garrafinha de água por 5 pesos (R$2,50). Se você for mulher, prepara-se para ser atacada, porque os argentinos conseguem ser piores que os brasileiros nesse quesito. Eu tinha me esquecido desse detalhe, porque na maioria dos dias saí com o pessoal da escola e tinham vários homens no grupo. Só me lembrei de como era o approuche argentino quando saí com uma amiga brasileira que também foi pra lá. Eles te puxam pelo braço, enchem seu saco, te seguem. Você saí andando e eles vão atrás. A solução é fazer uns amigos gringos (que não tem esse fogo latino) e aí nenhum argentino chega perto de você (a não ser que você queira).


Para os meus amigos que estão indo para lá nas férias de julho... desejo uma ótima viagem!!! Preparem-se para andar pelo menos 5km por dia, dormir pouco, comer muito e se divertir mais ainda!!!

ps: Fiquei com preguiça de achar o link de todos os lugares, mas é fácil de achar no google, é só colocar o nome da balada/bar/restaurante seguido de Buenos Aires e pronto!