21 de julho de 2008

Aprender a ler bons livros é uma forma de libertar-se


... um século depois, cá estou eu, postando novamente...

No entanto, o texto abaixo não é de minha autoria, mas de Milton Hatoum, um ótimo escritor brasileiro que ainda está vivo (ao contrário do que muitos pensam, existem escritores bons e vivos! - recomendo a leitura do seu livro "Dois irmãos").

Resolvi postá-lo pois ele fala sobre uma idéia na qual acredito muito: o hábito da leitura é muito importante para a formação de cidadãos, críticos e ativos.


"Aprender a ler bons livros é uma forma de libertar-se.
Dificultar ou barrar o acesso das artes e da cultura livresca a
pessoas humildes é, no mínimo, uma miopia política e um
preconceito de classe. Talvez seja uma das maiores indignidades
deste país, em que certos investidores, políticos e banqueiros
saqueiam a nação de um modo vil e quase sempre impune."

I

No dia 22 de dezembro de 1988 Chico Mendes foi assassinado na soleira da porta dos fundos de sua casa, em Xapuri. Uma casa de madeira, com dois quartos pequenos separados por um tabique, e uma saleta onde mal cabem duas cadeiras, uma mesinha e uma estante. Poderia ser a casa de um homem só, mas nela moravam também a mulher e os dois filhos do líder dos seringueiros.

Uma modesta biblioteca me chamou atenção quando visitei a casa desse homem covardemente executado. No canto da estante havia livros de ficção, história, política, geografia e alguns volumes de uma enciclopédia. Enquanto lia o título de cada livro, imaginei o leitor sentado diante de uma mesinha ao lado de sua cama; imaginei também o escritor anotando idéias, impressões e aforismos sobre a vida na floresta, a vida dos trabalhadores que dependem do meio ambiente para sobreviver. Ou melhor, para viver com dignidade.

A estante com livros tem um forte significado simbólico: a morada de Chico Mendes e sua família é também uma casa de leitura. Às vezes, o assassinato de um ser humano é o triunfo da violência covarde contra a inteligência e o conhecimento.

II

Tão simbólica quanto real é a Casa de Leitura Chico Mendes, situada na zona leste de Rio Branco, num bairro que também tem o nome do líder assassinado. A Casa de Leitura foi criada em 2005 por Gregório Filho, então diretor da Fundação Elias Mansour. É um projeto educacional e cultural simples e despretensioso. Por isso mesmo impressiona. E, por que não dizer, comove. Impressiona e comove por sua ampla dimensão social, e também porque as pessoas envolvidas nesse projeto são educadores apaixonados pela profissão a que se dedicam. Voluntários da própria comunidade do bairro Chico Mendes participam das atividades da Casa. Mais de cem crianças e jovens de um subúrbio pobre são estimulados a ler, ouvir e contar histórias. Cantam, brincam, lêem e encenam jogos e breves peças teatrais num espaço que não é uma creche, e sim um lugar de descoberta do mundo, viagem do imaginário.

Aprender a ler bons livros é uma forma de libertar-se. Dificultar ou barrar o acesso das artes e da cultura livresca a pessoas humildes é, no mínimo, uma miopia política e um preconceito de classe. Talvez seja uma das maiores indignidades deste país, em que certos investidores, políticos e banqueiros saqueiam a nação de um modo vil e quase sempre impune.

Há outras Casas de Leitura na capital e no interior do Acre, e a idéia da Fundação Elias Mansour é expandir e multiplicar essa experiência em vários municípios acreanos. Um trabalho semelhante é feito pela Expedição Vaga-Lume, uma ONG que atua em muitas cidades e comunidades da Amazônia. Seria interessante estabelecer um diálogo entre essas duas experiências, pois ambas são vitoriosas e servem de exemplo transformador para o Brasil.

III

Desconfio de projetos megalômanos e de discursos pomposos. A Amazônia - plural, complexa, diversa - exige estudos minuciosos, olhar de lupa, conhecimento científico e cultural apurados. Isso está sendo feito aos poucos e sem muito alarde no Acre. A Usina de Artes e a Biblioteca da Floresta Marina Silva são mais dois belos exemplos de intervenção cultural em Rio Branco. A Biblioteca é um projeto de arquitetura ousado que abriga atividades culturais relevantes, exposições permanentes sobre os povos indígenas e descobertas arqueológicas do Acre. Além disso, promove debates sobre questões da Amazônia. É um laboratório vivo e dinâmico que não deixa nada a desejar a uma boa biblioteca de um país civilizado.

O Acre era um Estado esquecido e marginalizado. O fato de hoje situar-se no centro da transformação social da Amazônia não é um milagre, e sim fruto de um processo que exigiu trabalho árduo, luta e participação popular. E ainda a determinação de um grupo político coeso, sonhador e com visão transformadora, movido pela crença na utopia, esta palavra tão fora de moda.

Chico Mendes e outros brasileiros foram assassinados ao longo desse processo. Oxalá o atual governo e políticos progressistas do Acre não se acomodem, nem façam alianças duvidosas com o único objetivo de manter-se no poder. O trabalho de dez anos pode dissipar-se em dez semanas. Sem contar que, no Brasil, a mediocridade e as forças conservadoras têm garras poderosas. No fundo, a luta contra a barbárie deve ser constante, sem trégua e sem descanso. Na sua aparente simplicidade, as Casas de Leitura são marcos pontuais de civilização e pesam muito mais do que uma tonelada de retórica ou propaganda, que, essa sim, não passa de promessa vazia.

Fonte: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3019944-EI6619,00.html

27 de abril de 2008

Um, dois, três

Ela sentia a tristeza de uma tarde de outono. Um daqueles dias cinzas, de ar pesado e muitas folhas mortas pelo caminho. Era assim que ela se sentia. Morta. Marrom e sem vida. E entendia porque há tantos suicídios nos países europeus. Como resistiriam a um ano repleto de dias em cinza e branco, como se o mundo ainda estivesse nos anos de cinema mudo e sem cor do começo do século passado?

Muda. Ela também não tinha voz. E mesmo que tivesse, sabia que de nada adiantaria gritar a sua raiva perante tanta mediocridade. De nada adiantaria. Ela não mudaria as coisas, que continuariam sendo como sempre foram. Não faria com que as pessoas deixassem de ser menos ... repugnantes.

Ela só queria fechar os olhos, contar até três e ver o mundo sumir. Não o mundo todo. Mas queria ver sumir as tantas coisas nojentas que vê todos os dias. Não agüentava mais relacionamentos baseados no interesse. Tanta falsidade e fingimento. Falta de respeito. Falta de educação. Falta. Ela sentia falta de coisas melhores e assim aprendia que era possível sentir falta daquilo que nunca se teve.

Da janela do quarto via a única árvore do quintal. Já não se viam mais árvores como antigamente. Também estavam em falta. Já quase não tinha folhas, mas... apertou o olho e viu algo diferente em meio a tanta falta de vida. Ainda havia ali uma folha, uma pobre coitada que teimava e não se rendia as leis da natureza. Teimava em não se deixar levar, em não cair. Ainda estava verde.

6 de abril de 2008

E a sua vida... o que é meu irmão?!

Enquanto eu lia um outro blog esses dias (tem o link aí do lado... é o I just want you know), eu lembrei de algo que aconteceu em uma festa e me chamou a atenção.

Como quase sempre acontece nas festas do campus (com exceção das festas do IEL, é claro!rs), era mais uma festa miada! beeeeeeem miada, diga-se de passagem! Lá estavamos nós, eu e mais uma amiga, numa festa animada pelo som de um carro, com meia dúzia de gatos pingados.

Depois de termos xingado até nossa última geração e de termos prometido que nunca mais iríamos numa festa do campus (coisa que a gente sempre promete, mas nunca cumpre), a festa começou a melhorar um pouco. Surgiu um DJ e, além dele, ainda tinhamos o som do carro, que estava bem legal. Mas a gente continuava reclamando!

Aí começaram a surgir partes de uma banda... bateria... guitarra... microfones... não era possível que iam montar uma banda aquela hora, já devia ser mais de meia-noite! Sim, era possível. Em festas no campus da Unicamp, tudo é possível...

Já eram umas 2h da madrugada quando a banda começou. No fundo, ficamos até com dó do pessoal... a festa estava tão miada, que boa parte das pessoas já tinham ido embora e a banda era boa, merecia um público. Eles começaram a tocar samba-rock.

Foi quando vimos um homem dançando muito animado. MUITO! Não era um aluno da Unicamp. Era o catador de latinhas da festa. Ele dançava tanto, parecia tão feliz! E foi aí que bateu a vergonha. Porque a gente passa o dia todo, vendo um momento de gente (grupo no qual nos incluímos) que tem tudo na vida, reclamando de TUDO, o tempo TODO!

E aí você vai em uma festa miada, chaaaaaaata e vê uma pessoa se divertindo tanto. Uma pessoa que, com toda certeza, não tem 10% do que nós temos. Uma pessoa para qual muita gente olha e pensa "esse aí, é um pobre coitado, não tem nada na vida, nasceu pra sofrer".

Mas a gente viu felicidade de verdade naquele homem!

17 de março de 2008

por quê? pOr QuÊ? POR QUÊ?

Por que será que meu blog anda tão parado?

a) Porque eu não gosto mais de escrever.
b) Porque eu não tenho mais nada pra escrever.
c) Porque eu percebi que esse negócio de blog é uma babaquice e vou acabar com isso tudo de uma vez.
d) n.d.a

Resposta certa: n.d.a

Acontece o seguinte...

As aulas começaram e aulas é sinônimo de... falta de tempo!

Agora, o pouco tempo que me sobra livre, passo lendo textos (em inglês) totalmente compreensíveis sobre as ondas senóides perfeitas formadas por estruturas físicas que não existem no mundo real. Ou então, fico fazendo exercícios de semântica que mais parecem uma prova de matemática do ensino médio (como meu pai indagou "Mas você tá fazendo Linguística ou Matemática?"). Isso sem contar os filmes sobre meninos selvagens e os exercícios sobre uma língua indígena do fim do mundo que ninguém conhece.

Oui,
C'est La Vie!



*Comentário 1: Quando escrevi esse post, lembrei do Pedrinho. O menininho loiro, filho do dono do varejão, que adora ir na minha casa. Ele é fofo, inteligente, fala que nem papagaio, é muito esperto pra um garoto de 2 anos e adora chocolate. Ele me acordar às 9h no domingo, joga todos os bichos de pelúcia e travesseiros no chão da sala e passa o dia todo perguntando: O que é isso? Pra que serve isso? Por que Aline, por quê? E só eu tenho paciência pra responder mil vezes a mesma coisa. Isso é o controle, Pedrinho. Isso serve pra abrir a porta do carro, Pedrinho. Porque faz mal Pedrinho, você já comeu muito chocolate hoje.

*Comentário 2: Eu adoro criança!




8 de março de 2008

De quem é o Dia da Mulher?


Eu tenho certeza que aquelas mulheres que queimaram seus sutiãs em praça pública, ficariam indignadas, senão totalmente revoltadas, ao ligarem a TV ou abrirem uma revista.

Muitas vezes, na verdade quase sempre, eu chego a ter vergonha das mulheres. As queimadoras de sutiãs também teriam. Quem não se lembra do baixíssimo episódio do carnaval, quando a mulher perdeu seu tapa-sexo no desfile, em rede nacional. Como se já não bastasse o fato dela se sujeitar a usar apenas um tapa-sexo, quando deveria estar usando no mínimo um biquini, ao perdê-lo, sequer TV vergonha o suficiente pra se esconder. Sei lá... sair correndo, chorar, desmaiar. É inacreditável que uma mulher fique nua na frente do país inteiro e nem se importe com isso. Eu acho que, por pior que uma pessoa seje, ela deve ter pelo menos amor próprio, respeito por si mesma. E ela não tinha. Ela e muitas outras.

Realmente não entra na minha cabeça como tem mulher que aceita ficar pelada em revista, em troca de dinheiro. Eu sei que é muito dinheiro, mas pra mim dinheiro nenhum vale o meu amor próprio e o meu respeito.

Também não dá pra entender que existe mulher que aceita marido safado e sem-vergonha, machista, aceita apanhar ou ser humilhada, em troca de uma vida boa, com carro na garagem e roupa de marca na gaveta. Não sei, mas eu acho que seria mais digno (e claro, mais difícil) trabalhar, ter seu próprio carro e dinheiro.

Ainda acho díficil entender como, em pleno século XXI, existem mulheres que se contentam com uma vida de dona de casa e mãe zelosa. E nada mais. Elas não tem um pingo de independência ou autonomia. Tenho amigas que se casaram e recebem ordens do marido. Assim como as coisas eram na época da minha avó.

Eu realmente admiro as mulheres que têm coragem de fazer algo por elas mesmas. Que casam e têm filhos, mas não largam o resto da vida por isso. É bom saber que ainda existem mulheres que estudam, trabalham, ocupam posições importantes. Mulheres que fazem algo pra melhorar o mundo ou o lugar onde moram, que montam ONGs, coordenam projetos sociais e educacionais. Mulheres que são notícias, mas por atitudes inteligentes e admiráveis.Mulheres que sabem que merecem uma vida que vai além das vassouras, do tanque de roupa suja e do fogão.

26 de fevereiro de 2008

Conspiração

Eu conheço muitas pessoas que acham que o mundo conspira contra elas. Sempre achei isso um absurdo. Primeiro, porque é muita prepotência achar que o mundo inteiro vive com o único objetivo de atrapalhar a sua vida. Segundo, porque eu acho que tudo que acontece com a gente é consequência de nossos próprios atos. No entanto, ultimamente tenho acredito que sim, o mundo conspira contra mim!
É realmente estranho, e até assustador, mas eu planejo ou prometo fazer alguma coisa e aí... pronto! Vem algo e me atrapalha, me impede. Agora mesmo, acabei de passar por isso.
Eu sou uma pessoa viciada em doces. De todos os tipos. Tinha prometido a mim mesma que, a partir dessa semana, ia evitar chocolates, bolos e a sobremesa na hora do jantar. Vinha conseguindo cumprir o prometido, até troquei um delicioso pudim de leite condensado por umas fatias de melancia no jantar de ontem. Até que... passou o carrinho da mulher que vende comida na minha baia... com o perfeito bolo de chocolate com recheio de prestígio. É sacanagem!! Há meses eles não vendiam esse bolo e justo agora, justo no meu terceiro dia sem doces, essa mulher me aparece com o bolo. Comi, lógico. Não consegui resistir. E lá se foi, por água abaixo, os 50 minutos que passei na esteira da academia hoje de manhã.
Um fato parecido ocorreu em outubro do ano passado. Eu fui tomar um maldito remédio contra-acne (sim, aquele Roacutan assassino). Resultado: tomei dois comprimidos (APENAS DOIS!) e as minhas plaquetas caíram de uns 220 mil para apenas 25 mil. Eu quase fiquei internada e quase tive que fazer uma transfusão. Isso só não aconteceu porque eu fui ao médico muito rápido e comecei a tomar um remédio para normalizar o nível de plaquetas. Detalhe: o remédio que normaliza as plaquetas (esqueci o nome) dá acne! Maldição! Tive que tomar a porcaria por uns 50 dias e, felizmente, minha pele só deu uma pioradinha. Aí minhas plaquetas voltaram ao normal e eu já podia parar de tomar o outro remédio, estava toda feliz... até que... fiquei sabendo que teria que refazer uns exames e por isso tive que parar de tomar anticoncepcional (que eu também estava tomando para ajudar no tratamento de pele). Fiquei dois meses sem tomar o remédio e minha pele está a merda de sempre.
Isso sem contar quando eu passo um tempão fazendo escova no cabelo, ele fica perfeito e aí... chove. Soma-se a isso, os sábados em que meu pai passa a manhã toda limpando a piscina e à tarde... chove. No domingo, chove. Na segunda, quando eu tenho que ir pra aula e ir trabalhar depois... faz aquele sol de cartão postal. Ainda tem mais. Como o dia que resolvi matar aula pra ir na festa de aniversário de um amigo e a professora resolveu adiantar a apresentação dos trabalhos em 15 dias, advinha quem ficou com o primeiro dia de apresentação?!
Ou isso é uma conspiração contra mim ...
Ou eu joguei pedra na cruz.
Só pode!

ps: o nome do post ficou parecendo nome de filme

14 de fevereiro de 2008

E qual é o sentido das coisas?


"O único sentido oculto das coisas
É elas não terem sentido oculto nenhum"

Ando meio sem tempo de escrever, mas não gosto de abandonar o blog, por isso resolvi postar esse poema, que é um dos meus preferidos.

Coincidência ou não, ele tem um pouco a ver com o post anterior.

Há metafísica bastante em não pensar em nada.


O que penso eu do mundo?

Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.


Que idéia tenho eu das coisas?

Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?


Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).


O mistério das coisas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas coisas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.


Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?


"Constituição íntima das coisas"...
"Sentido íntimo do Universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em coisas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.


Pensar no sentido íntimo das coisas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.


O único sentido oculto das coisas
É elas não terem sentido oculto nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!


(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as coisas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)


Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.


Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.


E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.


Alberto Caeiro, em O Guardador de Rebanhos.


5 de fevereiro de 2008

Porque não tem explicação



Algumas coisas só podem acontecer por milagre.

Pelo último post, você deve ter percebido que eu sou um tanto cética e descrente sobre determinados assuntos. Mas há coisas que são tão incríveis e inacreditáveis que não há explicação para elas. Ou será que a ciência pode explicar o acontecimento narrado na matéria abaixo? Pouco provável. Acredito que até agora os médicos também não sabem dizer como tudo aconteceu. Eu também não sei. Você também não. Certas coisas ninguém consegue explicar, nem nunca conseguirá. Para elas, existem os milagres.


Fetos chutam tumor de útero e salvam a vida da mãe

Uma britânica que descobriu um câncer durante a gravidez foi salva pelos chutes dos fetos, que expulsaram parte do tumor.



Michelle Stepney, 35 anos, estava grávida de gêmeas quando foi levada para o hospital com um sangramento. No início, os médicos suspeitaram de um aborto, mas logo descobriram que ela estava com câncer cervical e que acabara de expelir um pedaço do tumor do colo do útero.

"Eu não poderia imaginar que os chutes que eu sentia seriam tão importantes. Eu mal pude acreditar quando os médicos disseram que os movimentos tinham expulsado o tumor", diz Michelle.

Os oncologistas sugeriram que ela fizesse quimioterapia e retirasse o útero para remover o câncer por completo, o que significaria o fim da gravidez. Michelle conta que, depois de muito refletir, decidiu seguir em frente com a gestação e foi submetida a doses limitadas de quimioterapia, aplicadas a cada 15 dias.

As gêmeas, Alice e Harriet, nasceram na 33ª semana de gravidez de cesariana. As meninas estavam em perfeito estado de saúde, mas nasceram sem cabelo por causa dos efeitos da quimioterapia.

Quatro semanas depois do parto, Michelle foi submetida a uma cirurgia para retirada do tumor e do útero. Os médicos acreditam que ela esteja curada.

A britânica disse que deve "a vida às filhas".

No dia 12 de fevereiro, Michelle receberá o prêmio "Mulher de Coragem" do Cancer Research UK, um centro na Grã-Bretanha dedicado a pesquisas sobre o câncer.

Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI2338566-EI298,00.html