Estudar e trabalhar tem um lado péssimo: você fica praticamente exilada do mundo, sem saber o que está se passando por aí.
Eu saio de casa às 6h30, quando todo mundo ainda está dormindo (eu tenho, no máximo, a companhia sonolenta da minha mãe), e volto às 22h30, quando todo mundo já está dormindo, ou quase.
Praticamente não tenho tempo de ler jornal e revista, nem de ver os noticiários da TV. Consigo, no máximo, dar uma lida em algumas notícias na internet. Resultado: fico sabendo das notícias com atraso, sempre.
Semana passada, fiquei sabendo de uma notícia que me deu muita, muita raiva. Uma raiva tão grande que, se eu pudesse, eu cortava o Serra em mil pedaços e jogava no rio.
Durante a campanha do DCE (até que o DCE serve pra alguma coisa), eles falaram um pouco sobre o mais novo programa do nosso querido Governador. Ele acabou de criar a Univest (Universidade Virtual do Estado de São Paulo). Vai funcionar assim: a Unicamp, a Unesp e a USP vão oferecer cursos de licenciaturas pela internet, quase 6 mil vagas serão abertas ano que vem.
Resumindo: todo ano, mais de 6 mil professores serão formados à distância. Só me responde uma coisa, como é possível formar professores à distância? Como alguém pode se tornar professor sem, ele mesmo, ter contato com um?
O pior de tudo isso é que a população, alienada e facilmente enganada, ficou feliz com o programa incrível lançado pelo super bonzinho Serra, que proporcionará formação superior a tanta gente (inclusive achei vários sites e blogs elogiando a proposta). Ninguém sequer pensa no tipo de formação que será oferecida. Eu fiz um curso de licenciatura e sei que o contato diário com um professor é essencial para uma educação de qualidade, consistente.
Em um país como nosso, no qual a educação se deterioriza a cada dia, um projeto como esse só irá piorar ainda mais esse cenário. Se professores bem preparados já não conseguem manter um ensino de qualidade, dá medo imaginar o que vai acontecer com a educação quando esses 6 mil professores virtuais forem para a escola.
A desculpa do governo é que faltam professores nas escolas. Também faltam médicos nos hospitais públicos, mas ninguém jamais cogitará a possibilidade de uma faculdade de medicina à distância.
Claro, a medicina é uma profissão muito melhor que a pedagogia. Além disso, médicos mal preparados seriam um problema gravíssimo para o governo e sua imagem. Enquanto isso, professores com má formação fazem um grande favor a eles: formam pessoas cada vez menos conscientizadas, que se contentam com essa política de pão e circo de boca calada e sorriso no rosto.
Eu saio de casa às 6h30, quando todo mundo ainda está dormindo (eu tenho, no máximo, a companhia sonolenta da minha mãe), e volto às 22h30, quando todo mundo já está dormindo, ou quase.
Praticamente não tenho tempo de ler jornal e revista, nem de ver os noticiários da TV. Consigo, no máximo, dar uma lida em algumas notícias na internet. Resultado: fico sabendo das notícias com atraso, sempre.
Semana passada, fiquei sabendo de uma notícia que me deu muita, muita raiva. Uma raiva tão grande que, se eu pudesse, eu cortava o Serra em mil pedaços e jogava no rio.
Durante a campanha do DCE (até que o DCE serve pra alguma coisa), eles falaram um pouco sobre o mais novo programa do nosso querido Governador. Ele acabou de criar a Univest (Universidade Virtual do Estado de São Paulo). Vai funcionar assim: a Unicamp, a Unesp e a USP vão oferecer cursos de licenciaturas pela internet, quase 6 mil vagas serão abertas ano que vem.
Resumindo: todo ano, mais de 6 mil professores serão formados à distância. Só me responde uma coisa, como é possível formar professores à distância? Como alguém pode se tornar professor sem, ele mesmo, ter contato com um?
O pior de tudo isso é que a população, alienada e facilmente enganada, ficou feliz com o programa incrível lançado pelo super bonzinho Serra, que proporcionará formação superior a tanta gente (inclusive achei vários sites e blogs elogiando a proposta). Ninguém sequer pensa no tipo de formação que será oferecida. Eu fiz um curso de licenciatura e sei que o contato diário com um professor é essencial para uma educação de qualidade, consistente.
Em um país como nosso, no qual a educação se deterioriza a cada dia, um projeto como esse só irá piorar ainda mais esse cenário. Se professores bem preparados já não conseguem manter um ensino de qualidade, dá medo imaginar o que vai acontecer com a educação quando esses 6 mil professores virtuais forem para a escola.
A desculpa do governo é que faltam professores nas escolas. Também faltam médicos nos hospitais públicos, mas ninguém jamais cogitará a possibilidade de uma faculdade de medicina à distância.
Claro, a medicina é uma profissão muito melhor que a pedagogia. Além disso, médicos mal preparados seriam um problema gravíssimo para o governo e sua imagem. Enquanto isso, professores com má formação fazem um grande favor a eles: formam pessoas cada vez menos conscientizadas, que se contentam com essa política de pão e circo de boca calada e sorriso no rosto.

